segunda-feira, agosto 31, 2015

Uma carta do futuro.

                Acabo de perceber que não sei lidar com mudanças de grande porte. Mesmo que essas mudanças sejam para que algo melhor possa vir, ainda é muito difícil, para uma pessoa sentimental como eu, aceitar essas mudanças.
               Há quatro anos atrás, saindo do Leste Vila Nova, vim para o Universitário. O Universitário é um bairro que faz divisa com o Leste Vila Nova, então, o impacto nem foi tão grande, até porque, não ia mudar nada, de forma significativa. 
              Há quatro anos então, coletei inúmeras histórias que eu vivi neste apartamento: desde namoro, termino e bagunças sociais de todos os gêneros. Ele formou em um muro de memórias que só este lugar será capaz de transmitir.  Não é fácil fechar um ciclo. 
Ainda mais quando um ciclo tem muitas histórias, estas que contam quatro anos de sua vida. É um tanto deprimente pensar de que vou ter que deixar pra trás e fazer do lugar, que antes era um recipiente de memórias, agora em elemento-memória. 
             É como se fosse uma caixa que, dentro, há um monte de histórias. Só que essa caixa, por algum motivo, perdeu a chave do seu cadeado. Ficou apenas o que essa caixa representa: um elemento de memórias. 

            Ter que deixar um apartamento onde eu construí a maior parte da minha vida na capital Goiânia não vai ser fácil. Deixar para trás, a pessoa que você vê todos os dias na porta do prédio, ou de ter que, no futuro, sentir falta de ligar para o meu vizinho do andar de baixo para puxar conversa, pedir ajuda ou até mesmo, cobrar o valor da net (rs..). Não vai ser fácil entregar a chave para a zeladora.
Não vai ser fácil dormir pela última vez neste apartamento.
Não vai ser fácil ver a porta fechando, sabendo que eu nunca mais vou abri-la novamente.

Um ciclo que fecha.
Blam.